cerejas azuis

"only dead fish swim with the stream" - ficções, realidades e outras meias-verdades

Terça-feira, Janeiro 26, 2010

I.

passava por ela e olhava para baixo. ou para o lado. e sempre que, num infortúnio, não se desviava, cerrava a expressão com toda a força, como que a trancar-se do mundo. afligia-se porque não sabia o que era que aquela mulher trazia dentro dela, aquela miúda, aquela megera infernal que falava como se fosse a dona da razão e do saber. a voz dela não tremia, não hesitava, e quanto mais ele a deixava falar mais ela o afundava com as suas certezas. às vezes calava-a. ela enchia-se de uma ira silenciosa e fixava os olhos nos dele só por um instante, e depois desaparecia a destilar raiva. e ele afligia-se, porque o desprezo da voz dela ficava a ressoar nos seus ouvidos, como uma doença ou uma maldição. às vezes tentava-se e confrontava-a, provocava-a, com um olhar ou uma palavra ácida ou com a vã esperança de que a mera presença dele a conseguisse desviar por um milímetro. afligia-se porque ela devolvia-lhe uma indiferença diabólica e ele envergonhava-se com tanta arrogância, como é que era possível. e era pior quando se distraía e lhe dava o olhar, porque ela agarrava-o e atormentava-o, certamente a ler-lhe os pensamentos e a esmagar-lhe as pretensões. ridicularizava-o, aquele andar seguro, aquela altivez na expressão que o punha louco de raiva e de terror, toda ela era uma ofensa. 

era como se a qualquer momento ela o fosse encostar a um canto e num minuto lhe roubasse tudo a casa-o carro-os pensamentos-o Amor.

Domingo, Novembro 30, 2008

é mais ou menos isto:

Sábado, Novembro 29, 2008

não consigo...

...escrever.

Mas apetece-me tanto.

Terça-feira, Abril 01, 2008

Advertising is visual pollution

but it pays the bills.

Sábado, Dezembro 23, 2006

odeio o natal

mas isso já toda a gente sabe. e não é sobre isso que quero escrever.

quero escrever sobre sorrisos e abraços, pele quente que se sobrepõe e se encontra como se nunca se tivesse visto. olhos que se abraçam eles também, em jeito de qualquer coisa indescrítivel e intensa, violenta e tranquila, que mora em nós e nos nossos afectos, nas palavras que trocamos porque queremos e podemos. porque gostamos. e somos assim. construímos e desafiamo-nos sempre, sabendo que é disto que precisamos para Ser, tanto como do ar que respiramos.

eu respiro-te e agarro-te e admiro-te e olho para ti e vejo-me. quente e segura, única, na tua mão e no teu olhar e na lente com que me fotografas sem eu querer.

feliz natal.

Quarta-feira, Outubro 04, 2006

trilogia da traição (parte II: consumada)

uma explosão!, eis o que foi
de fagúlhas intermitentes
que inebriam qualquer um
e se tomam por serpentes

[fios condutores que se enrolam
como animais de estranha força
e que transformam a ciência
em mil estrelas decadentes

como a morte prematura
do armísticio já previsto,
que atirou o sarcasmo, gelado,
pelo desfiladeiro abaixo]

ata-me, sou tua e se, por acaso,
me vier a arrepender, que seja tão-só
(e sem comedida hesitação)
pelo atraso da questão.

Domingo, Julho 09, 2006

para a L.

amo-te
de um amor aberto, incandescente e
alucinado

um amor
que não é claro nem é escuro,
é contrastado
e resplandece nos teus sorrisos-novidade e no doce
eléctrico da tua voz

amo-te
com todos os bocados de um eu
superior,
feito todo ele
deste amor efervescente
que me injecta todos os dias
com uma felicidade trovejante

e amo-te porque
sim

porque és tu e és eu e és
um universo inteiro num par de olhos de pau-brasil.

Sábado, Julho 08, 2006

embalo...

tenho recordações como mordaças a apertarem-me a barriga. pinceladas de azul-noite e de mãos autocolantes que não se fartam nem se julgam. e faço malabarismo com as lembranças desses devaneios que me preenchiam, como antídotos divinos contra o meu cansaço mental. vejo olhos reflectidos noutros olhos e sinto na curva do meu pescoço sopros que murmuram como outros sopros, baixinho também. e toco com a ponta dos meus dedos outra pele, outra que não é a que toco como se fosse minha, como se o meu toque fosse uma qualquer magia e todas as realidades que não quero ver se desvanecessem num instante de delírio. e faz-me falta outra sombra, como me faz falta uma qualquer lua que me purifique o desejo e me carregue embalada no significado de um só abraço.

Quarta-feira, Julho 05, 2006

quem quer ser milionário?

"quando queremos estar próximos de alguém de quem gostamos, as palavras nunca se gastam. como nunca se gastam os beijos, as mãos que se aconchegam, os corpos que se tocam, as bocas que se comem, alimentando-se uma à outra."

retirado de um livro que eu nunca na vida imaginei ler. dão-se alvíssaras a quem adivinhar.

Quarta-feira, Junho 28, 2006

pareço uma bolha

de ar ou de água,
indiferente

de um qualquer composto que flutue,
formando uma pequena bola
insignificante

tonta e errante, inchada e
empenhada em reflectir tudo o que se passa
menos o que se passa cá dentro

porque sou uma bol[h]a
vazia.

Domingo, Junho 18, 2006

não resisto

sempre que penso em deixar de escrever é quando me apetece escrever mais. ai o meu canário.

"where's the beauty i had inside of me..."

porque pensamos nisso, porque somos pessoas com inseguranças e fraquezas como todas as outras e de vez em quando lá somos atormentadas pelos nossos próprios demoniozinhos rídiculos. e temos medo. de não sermos boas mães, boas namoradas, boas amigas, boas pessoas, boas no geral. e é uma parvoíce porque somos. porque sabemos que somos e não precisamos de quem nos convença disso, porque basta-nos o olhar dos nossos filhos, os sorrisos das pessoas de quem gostamos e muitas outras frases à la laurinda alves mas que sabemos perfeitamente que são verdade. porque somos fortes. e essa é a beleza dentro de nós.

"maybe i'm crazy..."

e és. mas não o suficiente. ainda podes ser um bocadinho mais. e eu digo isto porque sei, porque sinto, porque é mais do que facto que uma boa dose de loucura não faz mal a ninguém e pode servir de desculpa para criar certas circunstâncias que podem melhorar as nossas vidas. e não quero ouvir conversas de destinos e mais não-sei-quê porque já confirmámos hoje que esse gajo não interessa nem ao menino jesus. destino és tu que fazes, que agarras nas tuas mãozinhas e desatas esses nós de marinheiro que tens na cabeça. e tudo o resto é circunstancial. porque as dificuldades contornam-se. porque quando temos alguém que depende de nós é tudo um bocadinho mais díficil, facto. mas também é daí que vem o desafio. e é tão gratificante quando estamos felizes e as coisas resultam. e ainda que não resultem, estamos felizes na mesma porque fomos capazes de dizer "quem manda aqui sou eu e eu quero o melhor para mim".

e isto tudo só para te dizer que estou aqui. estou aqui para mim, para ti e para tantos quantos os que, como nós, precisem daquele bocadinho de força extra para continuar a lutar por tudo aquilo que achamos indispensável, pelas nossas convicções e pelas nossas vontades, porque sim podemos dar-nos ao luxo de ser hedonistas e de não nos contentarmos com uma lâmpadazita de 30W quando podemos perfeitamente ter um Mac 600 a rodopiar, a dar-nos a volta à cabeça e a iluminar-nos o sorriso. e agora vamos lá fazer a tal reuniãozinha para decidir qual a melhor maneira de dominar o mundo!

Sábado, Junho 17, 2006

não escrevo mais

porque ando em reflexão. quando tiver notícias telefono.

Quinta-feira, Maio 18, 2006

podia ser em qualquer parte do mundo





mas não é.

Segunda-feira, Maio 15, 2006

trilogia da traição (parte I: assumida)

se queres saber o que me deu
foste tu e as nuvens quentes
que me encheram a cabeça
de enjoos e surdinas

numa noite como esta
ouvi chamar e dei o braço
e quis sair daqui depressa
não fosses voltar atrás

nos meus olhos um temor
que mais não era que euforia
só por estar ali inteira
na fronteira da razão

que medo! fugi e ainda bem
e levei comigo as flechas
sentinelas desse amor
que se quis tudo menos luz.

Sexta-feira, Maio 12, 2006

loop

mãos e bocas e línguas e pele
mãos e bocas e línguas e pele
mãos e bocas e línguas e pele

mãos e bocas e línguas e pele
mãos e bocas e línguas e pele

mãos e bocas e línguas e pele

[e palavras]

Quinta-feira, Maio 11, 2006

alive and kicking! - fatias saídas de um esconso emocional

I

acredito em ti porque não acredito em observações tangenciais nem em pessoas lineares. espero-te na sequência da dissolução dessas tantas cortinas invisíveis, quebra-luzes infernais que não me deixam ter-te nem experimentar-te da maneira devida, com a reverência que segue as grandes sensações, os impulsos desmedidos. somos coisas efémeras e frágeis e sozinhas e redomamo-nos uns aos outros sem sequer reparar nas electricidades, nas cadências, nas centelhas que vamos deixando para trás. não me redomes - acende-me, determinada e prodigiosamente como só faz quem sabe.

II

há mil imagens que me domam sem coerência nem questão. e se fechar os olhos e me deixar ir, por um instante só, sorrio e sinto um arrepio e não consigo voltar mais.

III

eu tinha um grande desejo que era tão íncrivel que eu não o partilhava com ninguém porque é assim que nos dizem para fazer quando nos manifestamos fora do normal reprimia essa vontade e isso não era nada bom porque quanto mais tentava ignorá-la mais ela me aparecia em sonhos e em encontros e em postais gratuitos e já era tão complexa e já me conhecia tão bem que me encharcava em suores frios e me afogava em insónias diabólicas que são as coisas que acontecem quando nos deixamos engaiolar desta maneira e era um suplício tal que eu já não via nada nem ouvia ninguém só a vontade-sereia a soprar-me ao ouvido e a provocar-me e a minar-me com uma languidez tal que eu a dada altura deixei de ter forças para me dominar e libertei-me da tirania e do jugo que me sufocava a essência

e fui feliz.

Quarta-feira, Maio 03, 2006

stuck in the middle with you

Terça-feira, Maio 02, 2006

li não sei onde

que um blog sem caixa de comentários é masturbação intelectual.

será verdade?

Quarta-feira, Abril 26, 2006

revoluciona-me bebé!

definam-me as emoções em pârametros, em análises psico-sociológicas, em testes de cruzinha e em relatórios finais que eu chamo-vos ursos porque não sabem que perdem tempo e dinheiro e a sanidade mental. falem-me sim de histórias incompletas, de encontros sem espaço nem tempo nem nada, de sorrisos e outras falinhas mansas que não se expliquem nem se redomem, de ansiedades potenciadas ao limite da consciência, de perguntas sem resposta e sem destino e sem parágrafo.

desenhem-se no tecto, deitados ao lado de quem vos faz mais falta.

Terça-feira, Abril 25, 2006

em estágio