"only dead fish swim with the stream" - ficções, realidades e outras meias-verdades

Sábado, Outubro 30, 2004

não vás

não quero estar mais contigo. não quero porque sempre que estou contigo desespero porque sei que vou deixar de estar. porque sei que o tempo passa. e quando o tempo passa eu tenho que voltar à minha vida e não me apetece. porque quero ficar contigo, mesmo sabendo que não há sequer um remoto vislumbre de um futuro para "nós". porque sou só eu, és só tu. porque temos tão pouca coisa em comum mas eu sinto-me tão bem contigo. porque conheço-te há pouco tempo que parece uma vida inteira. e não quero sair, não me quero ir embora, não quero que vás. porque contigo eu sou eu, sem nenhum exagero ou falsidade, sem disfarces nem receios. porque ao teu lado eu sou tudo e nada ao mesmo tempo. fazes-me sentir tão poderosa e ao mesmo tempo tão desprotegida. porque eu gosto de ti e gosto de estar contigo e de te abraçar e de sentir que estás ali comigo. e aflijo-me porque sei que para tudo há um fim e cada dia que passa o fim vai ficando mais perto. não quero estar mais contigo porque não sei para onde vais. não vás.

Quarta-feira, Outubro 27, 2004

recordações

desde os meu doze anos (acho eu...não tenho muita queda para as contas de cabeça) que eu tenho o hábito de devassar limpos e puros caderninhos (na sua maioria aqueles "sebenta", não sei bem porquê...) com tudo o que me passa pela cabeça (e pela caneta). assim, os meus pensamentos, instantâneos pessoais, acontecimentos dignos de registo e todos os demais devaneios da minha mente estão registados em centenas e centenas de folhas de papel.

este blog é para mim um caderninho actualizado, onde eu faço do teclado caneta, depósito de sentimentos e de estados de espírito e, principalmente, de emoções e de pessoas. faço as minhas críticas, deixo voar as minhas paixões e partilho o que mais me inspira. ontem, enquanto lia umas folhas que me inspiraram para um dos posts, descobri dentro de um livro já antigo parte de um desses "caderninhos", antigo como o livro onde habitava. o que lá vi escrito fez-me sorrir.

partes de uma vida que já passou, pessoas que continuaram noutras direcções e emoções que foram risos, foram lágrimas, foram palavras e agora são só recordações. e vou transferi-las para este meu novo caderninho porque não se pode viver bem o presente sem um olhar no passado.

não me esqueci
do que fizeste, do que disseste
transformaste as minhas palavras
em tuas
veneno
aquilo que querias ouvir
não me lembres
não me digas
não me fales
que eu não preciso de ouvir o que tens para me dizer
e que eu já ouvi
e lembra-te apenas
que eu não me esqueci
...
um abrir e fechar de olhos momentâneo que congela o pensar
...
chorar, chorar perdidamente
limpar o espírito a alma a mente

chorar, chorar o coração
e as alegrias que não vêm e nunca virão

rir, rir e endoidecer
expulsar o êxtase esfusiante até ao anoitecer

rir, rir e não tardar
porque o sol se vai embora e o céu vai trovejar

e no fundo de que se trata
rir, chorar?
explodir, amar?
porque afinal, a alegria que se mata
não passa da tristeza que se guardou
a esperar

e aguardo infinitamente
essa espera, a quimera
o delírio do pensamento ardente

e esvaio-me em luto
porque tudo isto de que disfruto
não passa de uma ilusão
na minha imaginação

e rio, rio
rio até desesperar
e acabo, sorrio
no prazer entusiasta de chorar







ou então...

...aqui. :)

aqui...


...é que eu gostava de passar uma noite contigo.

life imitating art #2

Do meu amor perfeito, flor ausente,
não me lembro o rosto nem a voz:
lembro a fadiga sorridente
que havia, ao fim, em cada um de nós.



(David Mourão-Ferreira in A Arte de Amar)

e se de repente...

...trocássemos de vida?

(havias de ficar muito contente contigo, tu...)

Terça-feira, Outubro 26, 2004

strawberry fields forever






let me take you down
‘cos I’m going to strawberry fields, nothing is real
and nothing to get hungabout
strawberry fields forever

living is easy with eyes closed
misunderstanding all you see
it’s getting hard to be someone but it all works out
it doesn’t matter much to me

let me take you down,
‘cos I’m going to strawberry fields, nothing is real
and nothing to get hungabout
strawberry fields forever

no one I think is in my tree
I mean it must be high or low
that is you can’t you know tune in but it’s all right
that is I think it’s not too bad

let me take you down
‘cos I’m going to strawberry fields, nothing is real
and nothing to get hungabout
strawberry fields forever

always, no sometimes, I think it’s me,
but you know I know when it’s a dream
I think I know I mean a ‘yes’ but it’s all wrong
that is I think I disagree

let me take you down
‘cos I’m going to strawberry fields, nothing is real
and nothing to get hungabout
strawberry fields forever

strawberry fields forever

(The Beatles, Strawberry Fields Forever)

Segunda-feira, Outubro 25, 2004

the love cats

the way we walk

the way we talk

the way we stalk

the way we kiss

(The Cure, The Love Cats)



Domingo, Outubro 24, 2004

pedido (mas desta vez não é para ti)

olha para mim!!!!!

Sábado, Outubro 23, 2004

pessoas

sorrisos que escondem indisposições, vozes bem humoradas mas que têm inflexões raivosas de vez em quando, olhares aparentemente perdidos e vazios em cabeças cujos pensamentos são indecifráveis para a maioria, antipatias que são inseguranças, gargalhadas tão sinceras que ninguém diria que na realidade são manifestações gritantes de ganância, vozes ríspidas em caras bondosas, poses auto-confiantes que disfarçam quem nem se consegue ver ao espelho, lágrimas forçadas, risos secos, gestos falsos... como se pode almejar a compreender a verdadeira natureza das pessoas?



ah, esqueci-me das indiferenças que mascaram paixões...

Terça-feira, Outubro 19, 2004

desabafos

ando há quase uma semana para conseguir escrever aqui um daqueles posts inteligentes e cativantes de tão bem escritos, tipo crónica social corrosiva ou parábola filosófica com algum significado transcendente... todos os dias eu me tenho esforçado para conseguir associar os pensamentos dentro da minha cabeça, criar qualquer coisa dentro de um determinado estilo, conseguir compor algo criativo, que divirta e distraia... mas não consigo. não consigo. porque, para variar, as emoções tomam conta de mim, sobrepoem-se a todas as réstias de razão que ainda possam existir no meu íntimo e não me deixam fazer nada! congelam-me, prendem-me a sítios, a situações, a pessoas, a indecisões que me baralham e a dilemas que eu não consigo resolver... situação muito grave, diriam uns. caprichos do coração, outros. e eu não sei o que fazer. para variar

vou fugir mais uma vez.



ou então não.








Terça-feira, Outubro 12, 2004

life imitating art #1

"yes indeed I'm alone again
and here comes emptiness crashing in
it's either love or hate
I can't find in between
cause I've been with witches
and I have been with a queen

it wouldn't have worked out any way
so for now it's just another lonely day hey hey
further along we just may
but for now it's just another lonely day

wish there was something
I could say or do
I can resist anything
but the temptation from you
but I'd rather walk alone
than chase you around
I would rather fall myself
than let you drag me on down

it wouldn't have worked out any way
so for now it's just another lonely day hey hey
further along we just may
but for now it's just another lonely day"

(Ben Harper and The Innocent Criminals, Another Lonely Day)

...

Segunda-feira, Outubro 11, 2004

devil girl

you can't stop me. don't even try to. some days you just can't.

Domingo, Outubro 10, 2004

não me apetece

escrever.

Sábado, Outubro 09, 2004

perdida, mas é

a merda é que eu não te consigo resistir. e mal tu falas comigo já eu estou de olhos semicerrados, costas arqueadas e pernas entreabertas, como uma putazinha nova ou uma cadela com o cio. descontrolo-me. e depois é ver-me a dar voltas à cabeça, a pensar "porquê" e a mentalizar-me que vai ser a última vez como se fosse uma agarrada a qualquer porcaria de droga ranhosa. e se calhar não passo de uma agarrada porque até recaídas eu tenho, daquelas em que só de me lembrar do "eu e tu" (o "nós" parece-me tão pesado, que horror) sinto aqueles friozinhos no fundo da barriga e a cabeça começa a latejar por dentro e eu a páginas tantas já não sei se hei-de chorar ou morrer de prazer. e acabo sempre a detestar-te por só me conseguir exceder desta maneira contigo.

isto que eu tenho cá dentro não é um fogo, é uma porra de um incêndio de julho na serra do caldeirão!!!

pedido

se não fosse um grande incómodo gostava que saísses da minha cabeça por uns tempos. achas que dá?

lux

gosto mesmo de festas, de ver os pacóvios a puxar do telemóvel dentro das pistas de dança como se fosse possível ouvir o que quer que seja para além da batida contínua e irritante dos dj's electrónicos da moda, de levantar a cabeça e cruzar o meu olhar com centenas de outros olhares que não percebo bem o que tentam ver porque me parecem mortos e vazios de qualquer sentimento ou intenção, de me surpreender com a maneira absurda com que a televisão e as revistas deturpam a imagem das pessoas que ao natural são incrivelmente melhores do que seria de esperar, de reparar nas toillettes, tanto das madames completamente overdressed com os seus vestidos de griffe e a carteirinha vuitton cujo valor daria para alimentar uma família da classe média durante dois meses como dos pseudo-intelectuais fashion que marcam o seu estilo tirando do armário os trapos mais desleixados e falsamente desarranjados (com que possivelmente alimentariam a mesma família durante mais um mesinho...) e esperando assim alcançar o tão cobiçado estatuto anti-moda que está tão em voga nos círculos sociais underground hoje em dia e que arrasta multidões em procissão para as lojecas cool do bairro alto. e escandalizo-me com a falta de educação gritante que faz com que os pacóvios do telemóvel e das griffes se esqueçam de palavras tão básicas da nossa língua como "por favor", "desculpe", "muito obrigado" ou mesmo do clássico "boa noite, obrigado" ao pessoal da porta, não cedam passagem, ocupem todos os espaços e pura e simplesmente não respeitem nada nem ninguém. e deliro com as matilhas de meninos e meninas, todos variações de um mesmo género, que trocam conversinhas de circunstância, risos estridentes e despropositados e olhares carregados de volúpia e innuendos, na esperança que tanta parvalheira lhes sirva para mais tarde cruzarem a espécie e satisfazerem os seus impulsos primários. parece a pre-história, mas com mais allure. e eles olham para elas, elas para eles, eles para eles, elas para elas e eu já não percebo nada do mundo.

"está na moda não estar na moda o que por si só cria uma moda"

underwater love

i can't fall down on my knees and apologize to you 'cause that ain't my style

rambling #1

sometimes it all just becomes too much for me to interiorize. you can't just expect me to understand everything or always have a favorable opinion or a worthy advice to give to you. it just cannot be. i have other things in my mind, you know, and this pressure you put on me becomes unbearable. alright, i know i can be demanding and sometimes even selfish but i do everything out of love. and this love is exactly what i want you to respect and be thankful for. am i being too overbearing? i don't think so...

i wish...



felicidade

é não pensar em nada e sair de carro sem destino, com uma boa companhia, e deixar que o vento me desalinhe o cabelo que tanto trabalho dá a pentear. é absorver o sol na pele, sentada numa qualquer esplanada de praia com os pés descalços e o sal no corpo. é dormir sossegada, sem luz nem ruído nem sonho que me perturbe o pensamento e a alma. é entrar numa pastelaria em dia de chuva, sacudir o chapéu e pedir qualquer coisa com muito açucar, creme ou chocolate. é preguiçar à conversa com a melhor amiga e dançar sem parar para um público imaginário, comer quando se tem fome, chorar à vontade quando a angústia inexplicada se acomete do nosso coração. é ouvir a nossa música favorita e cantá-la aos altos berros sem pensar sequer nos vizinhos que estão a tentar dormir a essa hora. é entregar-me de corpo e alma ao prazer sem reticências nem pontos finais e acordar de manhã a sorrir. é olhar para os sorrisos das pessoas de quem gostamos e sentir que realmente fazemos falta no mundo. é ter filhos, rir sem sentido, abstrair-me das responsabilidade nem que seja por umas horas, dar uma esmola a um velho sem-abrigo, dormir ao lado de um bebé, conversar todas as manhãs um bocadinho com a porteira, cheirar flores frescas, comer fruta na piscina debaixo do sol de julho. é tanta coisa, afinal.

we could be so good together

yeah, so good together
ah, so good together
we could be so good together
yeah, we could, know we could


(The Doors, Waiting for The Sun)

choking

só me apetece sair daqui, encher a cabeça de futilidades e distrair-me o mais possível porque sinceramente, pensar em ti começa a tornar-se esgotante.

cerejas azuis...


...porque não?